Um estudo recente publicado na Nature Communications revelou uma proteína essencial que auxilia na sustentação das células-tronco dos folículos capilares, oferecendo novas perspectivas para tratamentos contra a calvície. A pesquisa foi conduzida por uma equipe internacional da Austrália, Singapura e China, proporcionando novas compreensões sobre a biologia da regeneração capilar.
Os folículos capilares am por ciclos repetidos de crescimento, repouso e queda. No centro desses ciclos estão as células-tronco dos folículos capilares (HFSCs), responsáveis por produzir novos fios de cabelo após a queda dos antigos. O estudo descobriu que essas células-tronco necessitam de uma proteína chamada MCL-1 para funcionar adequadamente.
Qual é o papel da proteína MCL-1?
Quando a MCL-1 foi removida em camundongos, as HFSCs rapidamente aram por estresse e morreram. Sem essas células-tronco, o processo de regeneração capilar foi completamente interrompido. Em experimentos onde a MCL-1 foi retirada de camundongos adultos, os pesquisadores também rasparam pequenas áreas de pele para testar a recuperação. Eles observaram que, na ausência de MCL-1, as áreas raspadas não regeneraram cabelo, enquanto camundongos com expressão normal de MCL-1 experimentaram regeneração rotineira.
Isso destaca o papel essencial da proteína na manutenção de populações saudáveis de HFSCs em adultos. A pesquisa, publicada em 29 de março de 2025, enfatiza que a MCL-1 faz parte da família BCL-2, um grupo de proteínas que determina se uma célula viverá ou morrerá.
Como a MCL-1 interage com sinais de estresse celular?
A equipe explorou o que ocorre no nível celular quando a MCL-1 está ausente. Descobriram que, enquanto as HFSCs inativas permaneciam intactas, uma vez ativadas e iniciando a divisão, eram sobrecarregadas por estresse celular. Isso acionava a proteína P53, conhecida por regular a morte celular. Em um experimento adicional, os pesquisadores removeram o gene P53 junto com a MCL-1 e observaram uma restauração do crescimento capilar.
Essa descoberta sugere que MCL-1 e P53 interagem para manter um equilíbrio entre a sobrevivência e a morte celular dentro dos folículos capilares. Compreender esse mecanismo regulatório é essencial para desenvolver futuras terapias destinadas a preservar as HFSCs.

Quais sinais influenciam a regeneração capilar?
Além da descoberta da MCL-1, o estudo também destaca a importância da via de sinalização ERBB. Essa via, que influencia vários processos celulares, demonstrou apoiar a sobrevivência das HFSCs ao aumentar a produção de MCL-1. Os pesquisadores acreditam que essa ligação pode fornecer outro alvo para intervenção terapêutica.
Os experimentos liderados por Hui San Chin e colegas fornecem evidências sólidas de que manipular a sinalização ERBB pode ser um método viável para aumentar a atividade da MCL-1. Como a MCL-1 não pode ser entregue diretamente às células em forma tópica, estratégias alternativas, como o aumento da função ERBB, estão sendo consideradas.
Direções futuras na pesquisa de alopecia
A alopecia afeta cerca de 2% da população global em algum momento de suas vidas. Embora existam várias causas, desde distúrbios autoimunes até desequilíbrios hormonais, a incapacidade dos folículos de se regenerarem desempenha um papel significativo na perda capilar a longo prazo. Este novo estudo propõe que proteger a MCL-1 pode ser essencial para manter a capacidade regenerativa nas HFSCs.
Os cientistas sugerem que mais pesquisas são necessárias para explorar como a MCL-1 opera em humanos, mas os achados estabelecem as bases para futuras investigações. Compreender como a MCL-1 interage com vias de estresse e moléculas de sinalização externas, como ERBB, pode ser crucial no desenvolvimento de tratamentos que possam prevenir ou reverter a calvície.